Mês: outubro 2011

victor

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queria afi(n)ar o texto. mas deixei assim mesmo. açúcar queimado. como as cartas antigas. de tinta escorrida. gota de café. o texto tremido. sem revisar.

“de repente, lá estava eu, nesse ponto em minha vida”, e fomos cúmplices, antes de qualquer evento ou palavra. a porta aberta à casa de um estranho, e entramos. como os cães entram na igreja. dentro da sala vazia, a incompletude colorida das formas. a solidão cercada de objetos. a ausência do corpo que afirmaria a invasão e o absurdo desse primeiro encontro.

memórias, cadernos, caixinhas, pinturas, papéis soltos. guardamos esses nós. em poeira, ferrugem, canela, areia, nós a desatar, miúdos infinitos, anúncio de séculos que se acumulam e acumulam. até exigir outro espaço, despido de marcas, home is where it hurts.

teus 19 anos mentem. sua velhice precoce é o rastro do homem extraordinário que eu desejo conhecer desde agora. meu avô imaginário. meu amigo desde antes, quando o futuro se fazia demorado, pra chegar tão maduro a essa pequena duração aparente.

adorei o colar. adorei o cartão. adorei a caixinha de metal. adorei o chá. adorei a música. adorei a conversa. adorei seus desenhos e escritos. adorei o caderno da sua avó (uma preciosidade). e adoro você.

deixo pedacinhos de poema: odile kennel, por extenso, e ricardo aleixo, em photo: o poemanto: ensaio para escrever (com) o corpo.

De repente, lá estava eu, nesse | ponto, saída de minha | vida, nesse ponto, quando se | observava de perto, nada | havia de significante, não | havia signatário, coisa ou | nome para a coisa. Houvesse | batido à porta, teria sido talvez | permitida a entrada. Preciso, | (…) preciso, nos sábados | à tarde, ouvir o tilintar de vidro da reciclagem | e então pensar que não penso | em nada, preciso que o sapato | seja apenas um sapato, uma geladeira | uma geladeira, e o despertador, | que algures toca todos os dias | à mesma hora, apenas um | despertador, que algures | toca todos os dias à mesma | hora. Esse verso novo | que começo, talvez nunca | termine, ou fique, como | um cachorro escaparia | apenas por estar aberta | a porta Odile Kennel. Tradução: Ricardo Domeneck

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