Mês: fevereiro 2011

roseiras e bicicletas | yo viviré

as rodas de uma bicicleta — bem sabem as trigêmeas de beleville — são musicalíssimas. a música e os giros transformam os ciclos dúbios sob os pés em cosmogonias miúdas, discretas, e a leveza e a memória dos passeios, a dança circular das pernas, esse lirismo que se enfia nas ruas, zonzo do sol (sabe-se lá), tornam o convite da ana, o convitinho simples de juntar minhas curvas nas estradas de sábado aos rodeios das pedalinas, um quase poema. mas disso eu não posso falar | só sei do sequestro:

Talvez a revolução esteja em seus corpos e eu não a veja

diz o excelente poema da cecília pavon escolhido por ela pra figurar no blogue do coletivo ciclístico de mulheres. ana-erre-a-errante-e-outras, sempre no circuito do faça-você-mesmo.

a rosa (roberta ferraz), também preciso falar dela. eu prometi várias coisas, eu sei. devo ainda comentar uns livros. é tanta coisa. e disse, ainda, que estaria aqui uma vez por semana e não pude cumprir. mas hoje, pelo menos, vou deixar um sinal de vida.

AQUI o texto da yvette centeno sobre o delicado trabalho da rô em lacrimatórios e enócoas | sobre a tríplice instigância do fio, fenda, falésia | por fim, sobre o dioniso e ariadne | cuja saudação tive bem mais do que alegria em escrever, a convite da minha flor-ouriço-escorpião, carneirinho de água, feiticeira, amiga. ponho neste corpo estranho e deixo umas reticências providenciais. digo, em tempo, que estou com o manto, da apaixonante márcia tiburi |  agora sim, a tal saudação à rosa, enfiada lá no livro:

Tempo premido, pequenos delírios na aridez urbana: há mulheres que picham insights. Em muros ou telas. Que se fixam no talvez-agora. Que transitam nestes telefones sem fio para ouvidos moucos. Há mulheres contemporâneas.

Roberta Ferraz é outra. De cordas tensas. Do tempo que é sempre o mesmo, indiviso, e, no entanto, foge de si em mil máscaras – espelho do antigo Meandro, rio que entorna águas para dentro. (mais…)