Antilançamento
ou lançamento íntimo
Em outubro de 2010, antilancei Antes que se rompa o fio de prata, questionando a simbiose livro/fetiche-mercadoria e incluindo o leitor no processo que antecede a publicação.
Uma das ideias era expor o caráter de apoteose do lançamento, em que o escritor se reduz a estrela publicitária mediando compra e venda.
Antilançar é devolver a obra literária à condição de arranjo estético entregue ao outro, dispositivo a ser reformulado, deformado, em leitura ativa, participante. O livro deixa de ser espectro da celebridade de segunda mão — escrita artística no tempo do capital — e dá ênfase, ao contrário, ao aspecto potencialmente transformador de qualquer obra de arte, espaço interceptado pelo público, onde o particular é só a medida necessária pra acrescentar um ponto de superação | ou abertura a ser esgarçada pelos dedos de um leitor possível.
Em vez da estrela publicitária autografando atrás do púlpito-mesa, o escritor se torna o que de fato é: artífice, propondo uma troca de presentes. Ou quem doa o tempo, eternamente presentificado, às mãos de um leitor eternamente em devir.
Quem mandasse um rastro de leitura do Antes que se rompa o fio de prata (meu segundo livro de poemas), a partir do work in progress disponibilizado pra download, receberia em casa, emitido pelo correio, o caderno-livro, manuscrito do mesmo trabalho, com colagens, desenhos etc. — artesanato especialmente pensado para aquela pessoa >> dando ênfase à circulação de afeto que a leitura envolve; dando ênfase ao tempo gasto e ao próprio gesto de gastar sem consumir: gradiente de riqueza e contrário do entretenimento.
Ainda como parte do antilançamento, algumas cartas foram publicadas por aqui.
Antilançamento. Rede Catraca Livre.
Poesia Gravada
Criei um espaço pra compilar vídeo-leitura e experimentações de vídeo-áudio. É um projeto antigo: formar aos pouquinhos uma espécie de sala virtual, cheia de literatura em plataforma multimídia.
Poesia Gravada. http://poesiagravada.wordpress.com/
FLUP
Com a FLUP, Festival Literário do Facebook, ou Festa Literária Útil e Pirateada, pretendia incentivar iniciativas de recriação da FLAP e tirar o público, de uma vez por todas, da condição passiva.
Criei um blog pirateando o conteúdo da FLAP e lancei convites à ocupação do espaço. No Facebook, a página onde haveria os debates. Por fim, o tutorial, ensinando como organizar eventos.
O grande lance da FLUP é incitar mais gente a fazer o próprio encontro literário, partindo de plataformas descomplicadas e aproveitando o potencial das redes sociais.
Tirei o projeto da Web, mas devo retomá-lo a qualquer tempo.
FLAP. http://naflap.wordpress.com/
Maiara, parabéns por tua lucidez poética, que catalisa a elucubração do sonho, um discurso finíssimo e radioso que tenho agora o prazer de conhecer. Lerei teu livro com muito gosto. Um abraço.